segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Desapego...


O que fazer quando o pensamento chega na fronteira do sentimento?
Pode uma pessoa viver plenamente o hoje com a alma repleta de passado?


Desapegar não é esquecer. Absolutamente!


Desapegar significa escolher, muitas vezes renunciar, aquilo que nos sobra, nos pesa, nos distrai do caminho certo. E na fronteira do sentimento, por melhor que sejam os apegos, talvez seja esta a hora certa de renunciar, ou quem sabe, escolher um novo caminho.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

GRATIDÃO




"A gratidão desbloqueia a abundância da vida. Ela torna o que temos em suficiente e mais. Ela torna a negação em aceitação, caos em ordem, confusão em claridade. Ela pode transformar uma refeição em um banquete, uma casa em um lar, um estranho em um amigo. A gratidão dá sentido ao nosso passado, traz paz para o hoje, e cria uma visão para o amanhã."

(Melody Beattie)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Vida após 40.

Entrei naquela fase de ir ao médico a cada ano para fazer um check-up. Tudo bem, eu sei, temos que ir pelo menos uma vez ao ano mesmo, até ai nada demais... Mas que brasileiro faz isso sem ter necessariamente algum motivo, ir pelo simples fato de conferir todas as taxas de triglicérides, TSH e outras taxas que a gente nem desconfia que tem?

É, amigo, a vida após os quarenta não é tão charmosa como aparece nas novelas e comerciais... Muito trabalho, muitas responsabilidades e uma infinidade de cobranças que reforçam ainda mais nossas marcas no rosto. A vida parece ir dando um nó no tempo que segue implacável na contagem dos dias e a gente tenta entender tudo isso enquanto imprime, pacientemente, os resultados dos exames... A gente vai pensando no que poderia ter feito e não fez; nas escolhas postergadas em favor do reconhecimento no trabalho (se é que ele chegou) no empenho de anos em projetos que não deram certo, na super valorização do quintal do vizinho e não no nosso (sempre a grama do vizinho é mais verde, vai saber porque...), vamos chegando a conclusão que falhamos um bocado em nossas vidas, mas, vivemos intimamente ligados naquilo tudo que desejamos o tempo todo estar próximos; e talvez seja por isso que as quatro décadas tenham valido a pena.

Estou naquela fase de procurar diagnósticos para coisas que ficaram no compasso de espera, decisões que antes poderiam ficar para depois, hoje não podem mais esperar - Não posso omitir de mim mesma as minhas vontades ocultas, os meus sonhos e projetos de vida que de tão íntimos ficaram imersos no escuro do medo e do talvez. Agora é tudo ou nada, agora ou nunca, vai ou racha e seja o que Deus quiser. 

A impressão que eu tenho é que os próximos quarenta anos passarão rápidos demais, curtos demais e eu estarei talvez longe demais do que espero alcançar. O bom disso tudo é saber que nada será em vão, tudo pode ser bem vivido, aproveitado, apreendido... De alguma forma a vida deve ser assim pra todo mundo, não é mesmo? - Complexa. Incerta. Voraz.

Já não caibo mais nas roupas 38, meu manequim já algum tempo passou de P para M e sorrio satisfeita em saber que pelo menos a numeração do meu pé não mudou. Olho para o espelho e não me reconheço "senhora". - Uma adolescência tardia -  é essa impressão que tenho da vida após os quarenta, em que a gente não se localiza em nada, ama tudo que tem, viveu e sentiu, tem um apego enorme ao passado e as raízes, mas sente uma vontade enorme de viver, conhecer e se apaixonar perdidamente por novas idéias, coisas, lugares e valores.

Talvez eu inclua na minha lista de check-up uma passadinha ao psicólogo...Só para tomar um chá, jogar conversa fora e ter a consciência tranquila de que não me distraí demais nas escolhas.

Linda noite pessoal.


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Amigos das Estrelas...



Hoje acordei com uma saudade gostosa de um amigo que se perdeu no tempo... Anos de caminhos distintos nos dispersaram. Me lembrei dele ao ouvir uma música do Zeca Baleiro (  http://www.youtube.com/watch?v=AMCCCWEZT6U   ) e recordei dos nossos sonhos e conversas, nossas noites ao luar ouvindo as estrelas e buscando no infinito as respostas para nossas indagações mais profundas. Voou em seu Kavok de sonhos, seguiu seu caminho de estrelas, assim como eu também me fortaleci nelas e segui meu caminho.

É engraçado como uma lembrança nos trás outra, me lembrar de Hudson me tornou muito mais próxima das estrelas e de um céu que eu havia esquecido. Um céu de admiração, respeito e saudade; um céu ao qual se faz parte de um todo e nos completa como um manto que nos cobre e nos protege, lembrar do Hudson me fez voar para terras distantes, lugares onde ainda não posso estar, me fez caminhar com a alma de forma muito mais rápida e segura do que com minhas próprias pernas.

Como disse, uma lembrança trás outra e eu me lembrei do Lello. Outro amigo das estrelas. Irmãos de vidas certamente são assim como eles... Tem o dom de nos mostrar o caminho correto, de nos auxiliar a sermos melhores do que somos... Suspiro com saudades ternas destes meus amigos e de tantos outros que em algum momento seguiram junto a mim, compartilhando sonhos e indagações e esperanças. Seres que olharam juntos  para este céu infinito e se viram nele. Seres que sabem que é lá a casa deles... E é lá, neste mesmo céu azul que esperam um dia voltar.

Há uma mágica no olhar destas pessoas, uma doçura, uma calma... Anjos, amigos, filhos das estrelas, pessoas que Deus generosamente disponibiliza para nós em um dado momento em que nos sentimos pequenos e frágeis diante do mundo... Nos premia, como uma forma de nos dizer que por mais estreito que seja o caminho, mais dura e sofrida que seja a vida, ela pode e deve ser vivida com alegria porque  há pessoas assim, pessoas que mesmo distantes, mesmo que nunca mais sigam no mesmo caminho que você, deixam algo muito delas... O brilho das estrelas.

Hoje amanheci iluminada por milhares de pontos de luz que dançaram ao meu redor, nos primeiros raios de sol... Hoje, acordei com uma saudade gostosa dos meus amigos das estrelas.

Lindo dia.
Cau.



terça-feira, 18 de junho de 2013

Quando a Jiripoca Pia... Sobre a manifestação brasileira nas ruas

Um dos movimentos populares mais bonitos que eu pude vivenciar foi o do fim da ditadura e início da democracia brasileira. Onde o povo foi as ruas de forma pacífica em busca de sua identidade e de ser ouvido pelas governanças regentes em seus estados e também pelo poder civil. Foi o povo que levou Tancredo Neves a presidência da república e infelizmente, não tivemos tempo de aprender com ele o REAL VALOR DE SERMOS DEMOCRATAS.

Anos depois, outro ato de civismo - O Impeachment de Collor, então Presidente da República, e até então, sendo ele o presidente mais votado em nossa recente história de democracia.

De forma clara, bonita, saudável e de grande vigor cívico, o povo demonstrou claramente sua insatisfação e foi as ruas, cantando o hino nacional, apitando e dizendo ao mundo o que podia fazer, sem armas, mas com o uso correto das leis em vigor. O processo de cassação do mandato de Collor foi para mim um dos momentos mais íntegros e dignos de um cidadão que elege e também tira do poder público aquele ao qual lhe representa.

Foi lindo demonstrar ao mundo o que em tão pouco tempo de liberdade era possível fazer.

Hoje vejo o povo indo as ruas, aproveitando o Evento da Copa das Confederações (que precede a Copa do Mundo) o quanto estamos insatisfeitos... O que estranho muito é que quando o Brasil se candidatou e ganhou o sorteio, todos aplaudiram, todos foram as ruas e praças agradecidos pela oportunidade de mostrar nosso país de cartão postal aos estrangeiros.

Mas todo mundo sempre soube que as obras faraônicas que estão sendo feitas seriam superfaturadas e corrompidas pelas inúmeras licitações.... Com toda certeza é justo mostrar nossa insatisfação diante das câmeras do mundo, mais ainda quando esta indignação é compartilhada com povos de outros países que também tem clara insatisfação contra os seus governos... É justo que de forma democrática se mobilize e demonstre o que vai além do aumento de uma tarifa de R$3,20.

No entanto, aproveitar-se de um evento de forma intencional para com gestos de vandalismo quebrar ônibus, banco, danificar patrimônio público, criar motins.... É outra história, meus camaradas. Manifestações deste tipo me faz lembrar o tempo das barbáries, dos campos de fuzilamentos, de inúmeros desabrigados pela quebra da bolsa de NY em 1029 (e me pergunto se metade daqueles jovens estudantes sabem o que ocorreu em todo o mundo em 29)

Dói saber que meu povo não tem boas escolas. Que nossos professores trabalham em 3 turnos para conseguirem ter um pouco de dignidade; que as escolas rurais são tão capengas e desprovidas de livros enquanto milhares de livros doados pelos governos estaduais, municipais e federal são jogados fora em lixões....

Dói saber que para cada mãe com dois, três, quatro filhos na escola há também uma bolsa auxílio que a inibe de trabalhar e ganhar honestamente seu sustento. E de bolsa escola, bolsa leite, bolsa gás, as crianças ficam nos faróis a vender doces...

Dói saber que milhares de jovens vão para as Universidades sem saber direito como se construiu a História de seu país. Jovens estes que de tão certinhos e responsáveis, vendem e consomem drogas e muitas vezes morrem antes mesmo de terminar o curso superior.

Eu entro em pânico toda vez que vejo na tevê os noticiários. Eu me sinto fraca diante destas manifestações agressivas e de profundo cunho político e sindical.

A polícia revida o que é iniciado pelos manifestantes. Ordem e Progresso é para todos, mas neste caso - Mais ordem porque o progresso depende muito mais de sensatez e renovação de atitudes. Atitudes que cada um de nós tem que ter diante das urnas, ou, nas ruas, como uma manifestação da vontade una de um povo que um dia soube que esperar não é fazer.

Não se pode esperar progresso de um povo que danifica o pouco que tem, que pratica arruaça, que maltrata seu semelhante por homofobia, que trafica e leva armas para dentro de uma escola...

O governo tem culpa, mas você também tem. Pense nisto.

Muda Brasil. Mas mude também este povo de mentalidade anárquica e que venha bons ventos.

Cláudia Márcia de Oliveira.

Créditos da imagem: Internet.

"Não possuo a beleza da perfeição, a força da sabedoria, o olhar vasto do conhecimento. Apenas possuo o suave sussurro... da esperança." - Joan Walsh Anglund